Bebê registrado em língua de sinais

Pela primeira vez, no Reino Unido, um bebê surdo foi registrado com seu sinal pessoal (nome gestual). Na certidão de nascimento da pequenina Hazel Lichy, um nome bastante improvável consta entre os outros: Hazel UbOtDDstarL Holly Eileen Garfield Lichy.

UbOtDDstarL? No sistema de notação escolhido, a letra [U] indica a região do queixo, onde se articula o sinal (ponto de articulação); [bO], ou “baby O”, faz menção a uma configuração de mão composta por polegar e indicador, a formar um “pequeno o”; [tD] refere-se à orientação do sinal: palma da mão virada para o sinalizador; [Dstar] indica o movimento de abertura das mãos; [L] ilustra a configuração final, em formato de “L”.

O nome gestual dado à Hazel por seus pais, Tomato Lichy e Paula Garfield (também surdos), evidencia mais uma conquista das comunidades surdas britânicas: se familiares ouvintes podem registrar seus filhos em suas línguas nativas (no caso, o inglês), não poderão pais surdos fazer o mesmo? “O nome gestual de minha filha foi escolhido porque sua primeira expressão foi um sorriso (…) e não há como traduzir isto, perfeitamente, para o inglês” (fonte: DailyMail), diz Paula, justificando a escolha do sinal com que batizou seu bebê (bastante similar a “sorriso”, em Libras).

No entanto, o processo não foi simples: em uma primeira tentativa, o registro foi negado, o que fez com que o casal acionasse um advogado para recorrer a seus direitos legais, efetivados ao fim. A insistência valeu um feito inédito, talvez o primeiro de muitos, que devolve à língua de sinais o seu valor linguístico, histórico, cultural e, claro, afetivo – basta olhar para o simpático sorriso da pequena Hazel UbOtDDstarL para logo compreender seu nome.

Para assistir a uma reportagem sobre UbOtDDstarL produzida pelo canal britânico BSL Zone, clique aqui.

 
Hazel Lichy
 


Categoria: Outros
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)


 

 

Café 55

Fundada em 1955, a organização britânica Sense atua em defesa dos direitos da população surdocega. Por meio de campanhas e atendimentos diretos, a instituição oferece serviços para crianças, jovens e adultos surdocegos (e com outras deficiências) de todo o país, contando com o apoio de dezenas de voluntários e de uma equipe formada por diferentes especialistas.

Em Exeter, cidade ao sul do Reino Unido, a organização mantém um espaço de atendimento e acolhimento a pessoas surdocegas, onde se destaca um café: o Café 55 (o nome faz menção ao ano de fundação da Sense). No estabelecimento, trabalham – na cozinha, na limpeza, no salão, etc. – surdos e surdocegos, formando um staff pouco comum entre cafés e restaurantes da Inglaterra (e do mundo).

Composto também por intérpretes, guia-intérpretes e voluntários, o café firma-se, dia a dia, como um centro de formação profissional, onde quem dele participa aprende uma série de tarefas ligadas à culinária e ao trabalho em restaurantes.

O público, por sua vez, pode entrar em contato com um vocabulário básico da Língua de Sinais Britânica: em paredes, cardápios e placas, ilustrações indicam termos como “obrigado”, “por favor”, “sanduíche”, “chá”, entre outros.

Para saber mais, acompanhe a página do Café 55 no Facebook, clique aqui. Para assistir a uma matéria sobre o projeto, clique aqui.

  
Cafe 55
  


Categorias: Bares e Restaurantes
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.sense.org.uk


 
 

Ruth Montgomery

Categoria: Músicas por Surdos
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.ruthmontgomery.co.uk

Nascida em família de músicos, a inglesa Ruth Montgomery estuda flauta desde os oito anos, quando ainda frequentava o ensino fundamental. Licenciada em Flauta pela Royal Welsh College of Music and Drama, a musicista já se apresentou ao lado de grandes orquestras (como a Orquestra Filarmônica de Londres e a Orquestra Nacional Russa), além de ter ministrado cursos e workshops – para crianças e adultos – em diferentes cidades da Europa. Essa breve descrição biográfica pareceria corriqueira, não fosse o fato de Ruth ser surda desde o nascimento. Entre ritmos e melodias, a flautista desfaz o senso comum de que música é uma arte improvável (se não impossível) para pessoas surdas, encantando muitos com suas performances e composições. Clique aqui para assistir a um vídeo de Ruth Montgomery tocando em dueto com Evelyn Glennie, outra musicista surda. Abaixo, “Silent Night” (“Noite Feliz”) é tocada por Ruth e seu pai, Roger Montgomery – com interpretação em BSL feita por Nadia Nadarajah, atriz surda.

 


 

Patrick speaks

Em 1995, o governo de Uganda reconheceu a Língua de Sinais Ugandense como um direito constitucional das comunidades surdas do país. No entanto, apesar de seu estatuto legal, a USL ainda é pouco usada (e promovida) nas regiões rurais do país, onde milhares de surdos enfrentam um sem fim de privações, comuns a boa parte da África-subsaariana.

O vídeo “Patrick Speaks”, produzido pela rede britânica “Channel 4” (programa Unreported World), ilustra essa trágica situação: nele, Patrick Otema, 15, um garoto surdo local (que, como outros milhares de jovens surdos do país, não tem acesso a uma educação bilíngue, tampouco à língua de sinais), é acompanhado em sua primeira aula de Língua de Sinais Ugandense.

A transformação é surpreendente, e prova a importância das línguas gestuais na vida de muitas pessoas surdas. Já compartilhado por milhões de internautas em 2014, o vídeo – sem dúvidas – far-se-á por muito tempo atual, pautando a luta pelos direitos linguísticos dos povos surdos em todo o mundo.

 

Patrick Speaks

 

Categoria: Curtas / Animações
País: Reino Unido / Uganda
Vídeo: “Patrick Speaks
Línguas: Inglês, Suaíli e Ugandan Sign Language (USL), legendas em Português


 

Fingersmiths

Sobre o palco, a língua de sinais se entrelaça à fala, criando diálogos em que ora se cruzam, ora se distanciam. Diferente dos intérpretes sombras (clique aqui para saber mais), da tradução comum (em cantos do tablado) ou dos espetáculos monolíngues (apresentados apenas em língua gestual), as peças da companhia britânica Fingersmiths amarram as duas línguas (Inglês e BSL) em cenas que correm simultânea ou intercaladamente, tecendo interessantes composições cênicas.

Fundado por Jeni Draper (diretora e intérprete de Língua de Sinais Britânica) e Jean Clair (atriz coda), o Fingersmiths traz ao público surdo e ouvinte novas formas de se fazer teatro, fundindo línguas em cativantes dinâmicas teatrais.

Apresentações como “Counting the ways”, “Who’s afraid of Virginia Woolf” e “In praise of fallen women” já foram encenadas pelo grupo, que há pouco ganhou ainda mais destaque com a temporada de “Frozen”.

Para assistir a trechos de apresentações do Fingersmiths, clique aqui (“Frozen”) e aqui (“Counting the ways”).

 
Fingersmiths
 


Categoria: Teatro
País: Inglaterra
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.fingersmiths.org.uk