Shawn Dale Barnett

Shawn Dale Barnett, o “Big Pappa Bear” (“Grande papai urso”), foi um dos grandes bateristas surdos a entrar para a história da música.

Barnett nasceu surdo em abril de 1963, e desde cedo estudou na Escola para Surdos do Kansas (Kansas School for the Deaf), na região centro-oeste dos Estados Unidos. Ali, a despeito da descrença de seus colegas, o garoto provou a todos o seu talento como percussionista, dando os seus primeiros passos como músico profissional.

“Enquanto frequentava a Escola para Surdos do Kansas, em Olathe, Barnett era desencorajado de perseguir seus sonhos na música. Quando tentou contar a seus colegas sobre sua bateria, foi ridicularizado e agredido. Pouco antes de se formar, em 1981, ele pôde convencê-los. Em um bar chamado “Clown”, Barnett apostou que poderia tocar bateria com a banda da casa – o gerente concordou, e ele estremeceu o local! O rapaz, então, foi embora com os 20 dólares ganhos na aposta e a convicção de que poderia ganhar a vida tocando bateria. A partir daí, ele se considerou um profissional” (retirado de Workers for Jesus).

Desse dia em diante, Barnett trilhou uma trajetória invejável. Realizou turnês por diversos estados dos EUA, tocou com músicos que anos mais tarde formariam a famosa banda  de rock Alice in Chains e abriu shows de grupos como Skid Row, L.A. Guns, REO Speedwagon, Warrant e Nirvana. Em 1987, uma música de sua autoria atingiu o Top 10 da MTV e a #7 na Billboard – um feito inédito no mundo surdo. 

Durante a década de 1990, Shawn voltou-se de corpo e alma para as comunidades surdas, onde passou a se dedicar ao ensino e à promoção da música (atribui-se a ele os primeiros usos do termo “Deaf Music” – Música Surda”). Entre surdos e ouvintes, Shawn Dale Barnett foi mais um a afirmar que a música não é um território exclusivo para aqueles que ouvem, e fez de sua vida a prova mais inconteste desse fato.

O músico, produtor, compositor e ativista surdo morreu aos 40 anos, de câncer, em fevereiro de 2003.

 
Shawn Barnett
 


Categoria: Músicas por Surdos
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://shawndalebarnett.50megs.com


 
 

Ron Tan

Ron Tan, um cingapuriano de 24 anos, tornou realidade aquilo que muitos lhe diziam ser improvável: mesmo com mais de 80% de perda auditiva, o jovem aprendeu (aos 17) a tocar piano e poucos anos depois já se apresentava em diversos eventos.

Com a ajuda de seu aparelho auditivo, Ron consegue ouvir parte das notas tocadas (para as mais agudas, no entanto, ele depende do feedback de pessoas próximas) e, graças a isso, conseguiu dar os primeiros passos no mundo da música por conta própria, desbravando-o como um apaixonado autodidata.

Para partilhar seu gosto e aproximar pessoas com deficiência ao fazer musical, Ron Tan fundou – em parceria com seu colega Muhammad Danial – a Inclusive Arts Movement (conheça aqui). Para assistir a vídeos sobre o músico, clique aqui e aqui.

 
Ron Tan
 


Categoria: Músicas por Surdos
País: Singapura
Línguas: Inglês e Signing Exact English (SEE2) / Singaporean Sign Language


 

Banda Ab’surdos

Categoria: Músicas por surdos
País: Brasil
Línguas: Português e Língua de Sinais Brasileira (Libras/LSB)

Criada pela musicista surda Sarita Araujo, a banda Ab’surdos reúne estudantes surdos e ouvintes do Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli (Uberlândia – MG). Entre instrumentos de percussão, guitarras, teclados e contrabaixos, o canto (em voz e em língua de sinais) segue a toada de ritmos como pop, rock, xote, mambo, etc. No conservatório, alunos surdos e ouvintes participam – ativamente – de uma grade curricular comum, formada por aulas como musicalização, multimeios, desenho, dança, canto coral, entre outras. “A finalidade não é só a interação social do surdo e a inclusão escolar, é também a formação profissional desses alunos”, afirma Maria do Carmo de Oliveira Almeida, vice-diretora da instituição (fonte: Agência Minas). O grupo, que já tem dois DVDs gravados, realiza apresentações no triângulo mineiro e em outras regiões do país – para acompanhá-lo no Facebook, clique aqui; para assistir a um vídeo sobre a trajetória de Sarita Araujo, fundadora e diretora geral da Banda Ab’surdos, clique aqui.

 


 

Vaughn Brown

Categoria: Músicas por Surdos
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)

Vaughn Brown, 27, surdocego desde pequenino, diz ao jornal The Columbian: “pergunte a si mesmo: esses obstáculos físicos estão mesmo lhe restringindo, ou são suas atitudes que lhe restringem? Não é sobre o que não pode fazer, é sobre o que pode!”. Levando a frase a efeito, Brown licenciou-se em música pela Berklee College of Music e hoje, além de percussionista, é educador musical em Vancouver (Washington, Estados Unidos). Em sua trajetória escolar, frequentou a Tucker-Maxon School (uma escola para surdos de cariz oralista) e a Washington State School for the Blind (escola para cegos), onde iniciou seus estudos de música por meio da musicografia Braille (hoje, Brown utiliza leitores de tela e programas como o Sibelius Speaking para ler e escrever notações musicais) – dois implantes cocleares também o auxiliam em suas empreitadas pelo mundo sonoro. Entre suas influências, destacam-se o grupo de jazz-fusion Pat Metheny Group e a percussionista surda britânica Evelyn Glennie (saiba mais), para quem já teve a oportunidade de tocar quando ainda era estudante (fonte: The Columbian). Abaixo, vídeo mostra Vaughn Brown ensinando bateria à sua aluna, Leilani Towner.

 


 

Ruth Montgomery

Categoria: Músicas por Surdos
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.ruthmontgomery.co.uk

Nascida em família de músicos, a inglesa Ruth Montgomery estuda flauta desde os oito anos, quando ainda frequentava o ensino fundamental. Licenciada em Flauta pela Royal Welsh College of Music and Drama, a musicista já se apresentou ao lado de grandes orquestras (como a Orquestra Filarmônica de Londres e a Orquestra Nacional Russa), além de ter ministrado cursos e workshops – para crianças e adultos – em diferentes cidades da Europa. Essa breve descrição biográfica pareceria corriqueira, não fosse o fato de Ruth ser surda desde o nascimento. Entre ritmos e melodias, a flautista desfaz o senso comum de que música é uma arte improvável (se não impossível) para pessoas surdas, encantando muitos com suas performances e composições. Clique aqui para assistir a um vídeo de Ruth Montgomery tocando em dueto com Evelyn Glennie, outra musicista surda. Abaixo, “Silent Night” (“Noite Feliz”) é tocada por Ruth e seu pai, Roger Montgomery – com interpretação em BSL feita por Nadia Nadarajah, atriz surda.