Autor

Hugo Eiji, 35, paulista, ouvinte, geminiano. Interessa-se pelas produções culturais das comunidades surdas, bem como pelos diálogos entre elas e os circuitos culturais majoritários – e sobre isso se inquieta, pesquisa, discute.

Por alguns anos morou em Portugal, onde realizou o mestrado em Ciências da Cultura (Cultura e Comunicação) pela Universidade de Lisboa. No Brasil, formou-se em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) e em Pedagogia – Educação de Deficientes da Áudio-comunicação – pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Coordenou projetos de acessibilidade e de Educação de Surdos, e hoje trabalha como animador (programador) cultural em São Paulo. Por toda a sua trajetória acadêmica, a surdez foi (e é) uma constante nada silenciosa.

 
Botão Lateral - Hugo Eiji (RTP)
 

2 pensamentos

  1. Meu caro Hugo, porque é pecado uma pessoa que perde a audição buscar recursos tecnológicos para ouvir? Li e achei bastante controverso o seu artigo A luta contra o ouvintismo ele parece mostrar apenas uma face de um prisma multifacetado que é a diversidade da surdez. Sendo ouvinte e jornalista deveria pesquisar melhor sobre os surdos oralizados e procurar conhecê-los e não ficar no discurso fácil da “normalização” pregado por um grupo que não representa maioria nesta diversidade. Sou surdo sim e perdi a audição quando adulto e fui alfabetizado na língua portuguesa e uso aparelhos auditivos. E por ser ouvinte você não tem a mínima ideia do que é ser surdo. Ter zumbido constante e não definir o som das palavras. Conheço implantados de todas as idades e sei que têm ficaram muito felizes em romper a bolha do silêncio. Por conviver neste mundo sei que ele não se resume a uma identidade/ cultura surda.

    1. Olá, Eduardo, tudo bem?

      Obrigado pelo contato e por todas as considerações feitas.

      Deixo aqui trechos de textos contidos no blog, em resposta a seu comentário:

      “Investigar a surdez, o povo surdo, as comunidades e culturas surdas, é adentrar por um universo heterogêneo, cheio de contradições, atravessado por um sem-fim de fatores, ligados ou não ao atributo surdo.

      Há diferentes tipologias e etiologias da surdez (surdez leve, moderada, severa ou profunda; condutiva, neurossensorial, mista, etc). Há surdos congênitos, surdos pré-linguísticos e pós-linguísticos. Há surdos usuários das línguas de sinais, há surdos oralizados, há surdos que transitam – sem grandes constrangimentos, nem dificuldades – entre os gestos e a fala. Há surdos usuários de aparelhos auditivos (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual – AASI), há surdos implantados (Implantes Cocleares – IC), há surdos que, por uma série de motivos, rejeitam e desdenham quaisquer tipos de próteses. Há surdos filhos de pais ouvintes (a grande parte dos surdos), há surdos filhos de pais surdos. Entre esses e tantos outros “hás”, emerge um mundo de diferenças ligadas à surdez.” (…)

      “Evangélicos, muçulmanos, budistas, negros, brancos, indígenas, moradores de grandes centros urbanos, habitantes de pequenos vilarejos rurais, pobres, ricos, heterossexuais, gays, universitários, não escolarizados, asiáticos, latino-americanos… Inúmeras categorias compõem, fluidas e emaranhadas ao atributo surdo (em todas as suas diferenças), um mosaico impermanente que recria, em incontáveis combinações, infinitas possibilidades de “estar no mundo”, marcadas por uma série de conflitos e distensões.

      Falar em povo surdo, assim, não é assumir a imagem cristalizada de um sujeito Surdo usuário de língua gestual, que partilha das comunidades e das práticas culturais Surdas; tampouco é reforçar estereótipos ouvintizadores da surdez. É, antes, atentar à diferença e entender esse universo como um campo de forças complexo, não harmônico, movimentado por diferentes atores e lugares do discurso.

      Neste blog, enfatizam-se os grupos Surdos usuários de línguas de sinais, que partilham das comunidades e culturas surdas, promovendo suas lutas, práticas e produções culturais”

      Como você bem disse, são várias as possibilidades de “ser surdo” – o que não se resume a uma identidade. Cabe a nós todos lutarmos pelo direito de todas elas existirem.

      Um grande abraço e fique bem!

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