Rachel Coppage

“Educada em um ambiente oralista à época das proibições das línguas gestuais, eu não sabia da existência de comunidades surdas até mergulhar na cultura surda, aos 18, durante minha estadia de um ano com uma família surda de Chicago. Retornei à Inglaterra como uma nova pessoa, com a auto-estima elevada e ainda mais confiante. Vejo a transformação como uma metamorfose similar à das borboletas”, diz Rachel Coppage, artista surda britânica hoje radicada na Nova Zelândia (retirado de seu site oficial). Da descoberta, a guinada: hoje, as identidades Surdas a atravessam, (re)definindo suas formas de olhar, sentir e expressar o mundo (o que faz sobretudo por meio de telas, em que as línguas de sinais são traços recorrentes e a promoção das culturas surdas, um imperativo constante).

Borboletas, a confirmar a metáfora da liberdade, também aparecem em várias de suas pinturas, criando cenários cheios de mãos, asas, sinais e mensagens. Hoje, para além dos pincéis, Rachel realiza práticas de psicoterapia em New Zealand Sign Language (Língua de Sinais Neozelandesa), lutando dia a dia pelos direitos do povo surdo. Para ver mais trabalhos de Rachel Coppage, clique aqui.

 
Rachel Coppage
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Reino Unido
Obra: “Liberation
Línguas: InglêsBritish Sign Language (BSL) e New Zealand Sign Language (NZSL)
Site oficial: http://www.rachelcoppage.com


 

 

Aeroplane

De acordo com o dicionário Priberam, haicai (hai kai ou haiku – saiba mais, clique aqui) é uma “forma poética muito breve, de origem japonesa, composta geralmente por três versos de cinco, sete e cinco sílabas”; “a captura de um momento fugaz” (diz Lubell em um haicai). O vídeo abaixo, “Aeroplane” (“Avião”), um haiku em sinais da poeta gestual Johanna Mesch (surda sueca), foi apresentado no BSL Haiku Festival 2006, realizado em Bristol, Inglaterra.

 
Aeroplane
 


Categoria: Poesia em Língua de Sinais
País: Reino Unido / Suécia
Poema: “Aeroplane
Línguas: Inglês, Sueco, Svenskt Teckenspråk (TSP) e British Sign Language (BSL)


 

Omeima Mudawi-Rowlings

Em cores, traços e padrões, as obras de Omeima Mudawi-Rowlings entrelaçam influências de culturas árabes, ocidentais e surdas. Nascida no Sudão (um dos maiores países do mundo árabe), Omeima Mudawi (surda) radicou-se na Inglaterra, onde se bacharelou em design têxtil pelo Instituto de Arte e Design de Surrey (hoje University for the Creative Arts – UCA).

“Sinto-me feliz por ter tantas experiências em que me inspirar. A cor é um ingrediente vital para mim: vejo no meu trabalho o calor e a intensidade de minha casa no Sudão, além dos tons frios de Londres. Amo formas orgânicas, e quando reproduzi o formato de minha orelha achei que ela se transformou no traçado natural de uma concha, um símbolo ao qual logo a associei – uma forma com uma qualidade transcendente, que remete tanto a um design árabe quanto a uma paisagem européia” (retirado do site oficial).

Esse padrão (re)corrente de conchas/orelhas, de acordo com Omeima, traz à tona questões como identidades e comunicação, expressando em suas obras – produzidas sobretudo em papel, seda e veludo – o ethos de sua criação: “a beleza pela diversidade”. Para além do ateliê, a artista realiza workshops sobre arte em tecido para jovens e adultos (surdos e ouvintes).

 
Omeima Mudawi
 


Categoria: Artes Plásticas
País: SudãoReino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.omeima-arts.com


 
 

Rubbena Aurangzeb-Tariq

Rubbena Aurangzeb-Tariq nasceu surda em uma família muçulmana de Surrey, condado não-metropolitano nos arredores de Londres. Licenciada em Artes Plásticas pela University of the Arts London (UAL – Central Saint Martins) e mestre pela Universidade de Surrey, Rubbena atua também como arte-terapeuta e “seu fascínio pela revelação sutil de conflitos inconscientes – sejam tensões entre culturas, pessoas ou partes do eu – figura como o cerne de seu trabalho” (retirado do site oficial).

Dessas (dis)tensões, as fronteiras físicas e identitárias que (re)definem a experiência surda tornam-se imagens em suas telas, já expostas em cidades como Paris, Montreal, Oxford, etc. Aparelhos auditivos, por exemplo, em traços quase abstratos, são elementos correntes em suas obras, trazendo à tona a discussão sobre o Ser Surdo.

Na pintura abaixo, um cérebro se une a um implante coclear (primeira linha) por um sinal de adição; um aparelho de amplificação sonora equivale a um olho (segunda linha) e uma representação das línguas de sinais subtrai um balão de fala (terceira linha).

 
Rubbena Aurangzeb
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Reino Unido
Obra: “Co-ordination
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://rubbena.com


 
 

Deaf Men Dancing

Categoria: Dança
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://marksmithproduction.com

Desde 2010 sob a direção de Mark Smith (coreógrafo surdo), um grupo de dançarinos surdos vem ganhando destaque no cenário artístico britânico. Chamado de Deaf Men Dancing (DMD), o coletivo une ao vocabulário da dança a prosódia da língua de sinais, fazendo da British Sign Language o ponto de partida de coreografias que fundem diversos estilos. Em vez de pistas sonoras, os dançarinos (que comumente atuam com os pés descalços) guiam-se pelas vibrações do piso e pela atenção ao outro para cadenciar os movimentos, fato que os torna – de acordo com Smith – mais entrosados que profissionais ouvintes (fonte: BBC). “Talvez sejam os níveis de atenção e cooperação que criam o senso de unidade na companhia, encontrado apenas entre dançarinos que trabalham juntos há muitos anos” (retirado de LondonDance). Em inúmeros festivais pela Europa, como Brighton Festival, Stockton International Riverside Festival, Liberty Festival, City Lit’s Deaf Day, Clin d’Oeil, etc. a presença dos DMD (com espetáculos como Alive!Hear! Hear! e Sense of Freedom) reafirma que a dança é possível, sim, para todos, sejam surdos ou ouvintes. Abaixo, trecho do espetáculo Sense of Freedom.