Robert Sae-Heng

Com ascendência mexicana e tailandesa, Robert Sae-Heng é um artista plástico e ilustrador surdo residente em Londres. Rubbertoes (como é também conhecido) aprendeu a ler e a falar já jovem, e fez do desenho um de seus principais meios de expressão quando pequeno – um amigo a quem podia recorrer por várias vezes (fonte: Soapbox Press).

Licenciado pela University For The Creative Arts (UCA – Reino Unido) em 2009, o artista – com toda a beleza e a peculiaridade de suas ilustrações – já estampou anúncios de marcas como Honda e Taqado (cozinha mexicana), livros de (e sobre) Arte e murais pela Europa.

Com influência da street art (arte urbana), seus desenhos retratam pessoas, unicórnios, estampas, etc., em uma miscelânia de referências contemporâneas. “De várias formas, é um tipo de diário. Minhas personagens são baseadas em pessoas que conheci por todos esses anos. Esses personagens aparecem inúmeras vezes em minhas obras pessoais e comissionadas”, diz Sae-Heng. Uma de suas pinturas (abaixo) traz à tona um pouco de sua experiência surda, entrando para o hall das obras De’VIA.

 
Robert Sae-Heng
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Reino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://robertsae-heng.co.uk


 

Morris Broderson

Nascido em 1928 na cidade de Los Angeles (Califórnia, EUA), Morris Broderson foi um prestigiado artista plástico surdo. Suas obras (especialmente pinturas) se espalham por diversos museus, como o Guggenheim, o Hirshhorn Museum e o San Francisco Museum of Modern Art, entre outros.

Broderson nasceu surdo e, ainda pequeno, aprendeu a sinalizar. “Quando tinha 14 anos, chamou a atenção de sua tia, Joan Ankrumcom um esboço que fez dela à lápis. Ela reconheceu o seu talento excepcional e o encorajou a aprofundar os seus estudos em Arte” (retirado do site do artista).

Elementos como poesia, flores, padrões orientais, infância, etc., firmaram-se como potentes fontes de inspiração para o seu trabalho e, mesmo sem se identificar com o movimento De’VIA (Arte Surda), muitas de suas criações retratam a língua de sinais e algumas das experiências surdas (fonte: People of the Eye).

Em 2011, aos 82 anos, Morris Broderson faleceu nos Estados Unidos, deixando um grande legado para as artes plásticas e também para as Artes Surdas.

 
Morris Broderson
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Self-portrait with hearing aids
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.wedgespeaks.com/morrisbroderson


 

 

Ann Silver

Ann Silver, artista plástica estadunidense, diz que a arte é a sua terceira língua: “ela me habilitou a comunicar com pessoas ouvintes antes de eu adquirir outras línguas, como o Inglês e a American Sign Language” (fonte: DeafArt).

Nascida em 1949 em Seattle (EUA), Silver – uma das mais proeminentes artistas surdas contemporâneas – licenciou-se em Artes Comerciais na Gallaudet University e, ao lado de nomes como Betty Miller e Harry R. Williams, foi uma das pioneiras do Deaf Art Movement nas décadas de 60 e 70.

Suas obras, em muito inspiradas na Pop Art, comumente trazem à tona as lutas políticas pelos direitos do povo surdo e já estamparam uma série de revistas, livros, periódicos, etc., ligados à causa Surda. “Gosto de desconstruir e parodiar as obras de outros pioneiros da Pop Art, retrabalhando-as por uma perspectiva surdocêntrica” (fonte: Deaf Review).

Uma de suas ilustrações mais emblemáticas, “Deaf Identity Crayons” retrata duas caixas de lápis de cera: uma antiga, com termos e compreensões antiquadas sobre a surdez, e outra moderna, com novos olhares sobre as identidades surdas.

 
Ann Silver
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Deaf Identitty Crayons
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)


 

 

Ángel Málaga

Licenciado em Belas Artes pela Universidade de Salamanca, o jovem artista plástico espanhol Ángel Málaga criou, em parte de sua produção artística, obras que tangenciam as Artes Surdas.

Filho de pais surdos, a experiência Surda não é algo novo para Ángel, ouvinte. Em uma de suas exposições, intitulada “Incomunicación Protestada”, suas instalações, pinturas e fotografias em muito dialogavam com elementos oriundos das comunidades surdas para expressar as dificuldades de comunicação e o mal-estar causado por ruídos – ruídos informativos, ruídos culturais, ruídos ideológicos: “tudo se converte em ruído”. Uma sensação de incomunicação, de obstáculo, em muito já conhecida por pessoas surdas.

“O trabalho de Ángel Málaga é uma reflexão sobre as dificuldades nos processos comunicativos (…). Trata-se de uma reflexão filosófica sobre a realidade e as línguas que a expressam. Na prática artística usa o estranhamento como prática de consciência que nos permite ‘sair da realidade’ para observá-la” (retirado do site oficial).

Para ver fotos desta exposição, clique aqui. Abaixo, instalação em neon presente em “Incomunicación Protestada”.

  
Ángel Málaga
  


Categoria: Artes Plásticas
País: Espanha
Línguas: Castelhano e Lengua de Signos Española (LSE)
Site oficial: http://www.angelmalaga.com


  

 

Ashley Shaffer

A paixão pela arte surgiu quando Ashley Shaffer tinha apenas quatro anos: a menina surda, crescida em família ouvinte, encontrou em traços e cores uma forma de expressar a sua inventividade – e bem pequena decidiu que seria artista.

Após estudar na Maryland School for the Deaf, Shaffer ingressou no National Technical Institute for the Deaf (NTID), onde se licenciou em Estudos da Arte e da Imagem. A artista plástica, que hoje traz em seu corpo uma tatuagem com os dizeres “Arte é a minha paixão”, em muito se inspira no mundo da moda (em especial, diz ela, no trabalho da designer Betsey Johston). “Expressar-se por meio da arte é como colocar uma semente  no solo para crescer bonita e sem parar”, afirma Ashely.

Entre as suas obras, algumas retratam a sua experiência Surda, em trabalhos De’VIA que retomam alguns dos marcadores culturais das comunidades surdas. “Eu acho que é único porque não há muitas pessoas que produzem Arte Surda. No entanto, sei que é um tanto vago para ouvintes que não entendem a cultura surda, que também não entendem esse tipo de arte” (retirado de DeafandHoh).

Clique aqui para acompanhar o trabalho da artista.

 
Ashley Shaffer
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Stand Togheter
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://theartworkofashleyshaffer.wordpress.com