Albert Fischer

Um dos principais artistas surdos da Alemanha, Albert Fischer (ou Fise, como era mais conhecido) estampava em suas telas traços bastante característicos, entre representações geometrizadas, texturas e referências às línguas de sinais.

Nascido em 1940 na cidade de Munique (ao sul do país), Fise destacou-se também como um importante militante da causa surda, levando adiante – não apenas pela arte – a luta pelos direitos do povo surdo.

Atuando como restaurador, Albert Fischer residiu por muitos anos na Baviera (nos arredores do lago Ammersee), onde produziu grande parte de suas obras, hoje expostas em galerias e festivais pela Europa. Em 2001, dois anos antes de falecer, Fise foi galardoado com o prêmio Gehörlosenkultur (Cultura Surda); após sua morte, foram-lhe feitas inúmeras honrarias póstumas.

O trabalho do artista pode ser conhecido no site da fundação criada para promover a sua obra, onde são realizados também cursos e oficinas para estimular a criação artística entre as comunidades surdas – clique aqui para acessar. Abaixo, pintura “Gebärden im tiefen blau” (“Língua de sinais no azul profundo”), uma das várias telas que trazem à tona a força e a importância da língua gestual (para ver galeria de Fise, acesse aqui)

 
Albert Fischer
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Alemanha
Obra: “Gebärden im tiefen blau
Línguas: Alemão e Deutsche Gebärdensprache (Língua de Sinais Alemã)
Site oficial: http://www.fise-ev.de


 
 

Alexsander Martyanov

Nascido na região de Kirovsk (norte da Rússia), Alexsander Martyanov divide-se entre o teatro e as artes plásticas. Licenciado em Arte e Design pela Pavlovsk Polytechnic School – Leningrad Rehabilitation Center (1984), o multiartista russo enveredou também pelas artes cênicas, formando-se pela Boris Shchukin Theatre Institute (1989).

Entre a produção de cartazes e cenários para espetáculos teatrais e a apresentação de pantomimas e poemas gestuais, Martyanov traçou uma carreira sobre os tablados, que mantém até hoje como professor, ator e diretor (clique aqui para conhecer o Nedoslov Deaf Theatre, de Moscou).

Na pintura, suas obras retomam, em muito, suas experiências surdas, e podem ser encontradas em galerias e coleções particulares pela Rússia e por outros países da Europa (como Bélgica, Finlândia e Alemanha): “encontro na arte formas que possam expressar meus pensamentos e minhas imagens internas. Acredito que a surdez influenciou minha arte no sentido de que minha visão de mundo é conectada à surdez, e tento expressar isso em meu trabalho” (retirado de RIT).

Clique aqui para assistir a um vídeo com Alex Martyanov.

 
Alex Martianov
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Rússia
Obra: “Signs
Línguas: Russoрусский жестовый язык (Língua de Sinais Russa)


 
 

 

Amit Vardhan

Nascido em Delhi, uma das principais regiões metropolitanas da Índia, Amit Vardhan, artista plástico surdo, licenciou-se em Artes Plásticas (pintura) na Delhi College of Art, onde também concluiu o mestrado.

Suas obras – sobretudo pinturas e ilustrações – são, em grande medida, inspiradas no cotidiano caótico das grandes cidades, bem como em objetos mundanos contemporâneos. Também, diz Vardhan, “adoro pintar mulheres. Gosto de pintá-las em diferentes gestos e posturas”. “(…) Quero que as pessoas aprendam e façam arte, especialmente a comunidade surda. Quero vê-las crescerem como artistas. Quero vê-las interagir, explorando-se. Quero mais e mais artistas surdos reunidos, criando uma grande comunidade artística, onde pratiquemos, partilhemos, aprendamos e nos sobressaiamos” (retirado de “Silent Experiences”).

A obra abaixo, em suas cores e contrastes, faz alusão a alguns dos marcadores do mundo surdo, como a língua de sinais e a experiência visual.

Para acompanhar o trabalho de Amit Vardhan nas redes sociais, clique aqui (Instagram); para assistir a vídeo com o artista, clique aqui.

 
Amit Vardhan
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Índia
Línguas: Hindi e Indian Sign Language (ISL)


 
 

Julie Stromme

Julie Stromme nasceu em São Paulo, mas aos nove anos mudou-se para os Estados Unidos, onde vive até hoje. Quando pequena, a artista plástica surda comunicava-se por meio de desenhos, por não dominar, àquela altura, uma língua gestual – que começou a aprender aos nove, em contato com as comunidades surdas norte-americanas. A arte, assim, fez-se linguagem primeira desde cedo.

Pouco tempo depois de chegar aos EUA, Julie já fazia pinturas à óleo; mais tarde, na universidade, começou a se dedicar à pintura acrílica – Julie licenciou-se em Design Gráfico pela National Technical Institute for the DeafRochester Institute of Technology (NTID-RIT).

Hoje, para além das telas, a artista residente em Chicago também atua como designer freelancer e oferece aulas e oficinas de pintura para grupos de interessados (em “paint parties”). Para assistir a uma entrevista com Stromme, clique aqui (parte 01) e aqui (parte 02); para acompanhar o seu trabalho no Facebook, clique aqui.

 
Julie Stromme
 


Categoria: Artes Plásticas
País: BrasilEstados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://jsartstudio.carbonmade.com


 
 

 

Darlene Weir

Inspirada por seu tio (um artista surdo profissional), Darlene Weir, surda norte-americana, começou a pintar ainda pequena, fazendo da arte, desde então, uma prática sempre presente em seu cotidiano. Já adulta, frequentou cursos na Bloomfield Art School, além de outros vários pela Europa.

O hiper-realismo na representação de cenas e de objetos cotidianos (com ênfase para as telas de natureza morta) é um traço que se destaca em parte de sua obras, que, em alguns momentos, também reafirmam suas experiências surdas.

Residente em Troy (Michigan), onde atua em seu estúdio, a artista conta com obras expostas em museus e galerias surdas do país, como o Deaf Cultural Center, no Kansas, e o museu da Delaware School for the Deaf (fonte: Chicago De’VIA Festival).

Na pintura abaixo, “Criação da ASL”, Darlene Weir faz alusão a um hipotético ato de criação divina (e libertária) da língua de sinais.

 
Darlene Weir
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Creation of ASL
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)