Ganesh Shetty

Com figuras geométricas e cores cheias de contrastes, as telas do pintor indiano Manur Chandrashekar Ganesh Shetty (ou M.C. Ganesh Shetty, como é conhecido) recriam formas humanas, cenas cotidianas, imagens devocionais, etc., em traços abstratos que se assemelham a obras em vitrais.

Shetty, aos cinco anos, perdeu a audição e, desde então, o ato de pintar firma-se como um meio privilegiado de comunicação, ao lado da língua de sinais e da língua majoritária do país. Já adulto, licenciou-se em Artes Plásticas por uma faculdade privada de Bangalore, e hoje suas obras frequentam coleções privadas e festivais pela Índia e por outros países (como EUA) – nessas obras, temas como trabalhadores rurais, mulheres campesinas, cântaros, aves, peixes e mudrás/hastas (configurações de mão com uma simbologia própria) são bastante recorrentes.

No quadro abaixo, a surdez de um menino é indicada, e acolhida, por uma imagem de Jesus. Para conhecer mais sobre o trabalho de Ganesh Shetty, acesse seu blog, clique aqui.

 
Ganesh Shetty
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Índia
Línguas: Hindi e Indian Sign Language (ISL)
Site oficial: http://abstractartistganesh.blogspot.com


 

 

Rachel Coppage

“Educada em um ambiente oralista à época das proibições das línguas gestuais, eu não sabia da existência de comunidades surdas até mergulhar na cultura surda, aos 18, durante minha estadia de um ano com uma família surda de Chicago. Retornei à Inglaterra como uma nova pessoa, com a auto-estima elevada e ainda mais confiante. Vejo a transformação como uma metamorfose similar à das borboletas”, diz Rachel Coppage, artista surda britânica hoje radicada na Nova Zelândia (retirado de seu site oficial). Da descoberta, a guinada: hoje, as identidades Surdas a atravessam, (re)definindo suas formas de olhar, sentir e expressar o mundo (o que faz sobretudo por meio de telas, em que as línguas de sinais são traços recorrentes e a promoção das culturas surdas, um imperativo constante).

Borboletas, a confirmar a metáfora da liberdade, também aparecem em várias de suas pinturas, criando cenários cheios de mãos, asas, sinais e mensagens. Hoje, para além dos pincéis, Rachel realiza práticas de psicoterapia em New Zealand Sign Language (Língua de Sinais Neozelandesa), lutando dia a dia pelos direitos do povo surdo. Para ver mais trabalhos de Rachel Coppage, clique aqui.

 
Rachel Coppage
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Reino Unido
Obra: “Liberation
Línguas: InglêsBritish Sign Language (BSL) e New Zealand Sign Language (NZSL)
Site oficial: http://www.rachelcoppage.com


 

 

Omeima Mudawi-Rowlings

Em cores, traços e padrões, as obras de Omeima Mudawi-Rowlings entrelaçam influências de culturas árabes, ocidentais e surdas. Nascida no Sudão (um dos maiores países do mundo árabe), Omeima Mudawi (surda) radicou-se na Inglaterra, onde se bacharelou em design têxtil pelo Instituto de Arte e Design de Surrey (hoje University for the Creative Arts – UCA).

“Sinto-me feliz por ter tantas experiências em que me inspirar. A cor é um ingrediente vital para mim: vejo no meu trabalho o calor e a intensidade de minha casa no Sudão, além dos tons frios de Londres. Amo formas orgânicas, e quando reproduzi o formato de minha orelha achei que ela se transformou no traçado natural de uma concha, um símbolo ao qual logo a associei – uma forma com uma qualidade transcendente, que remete tanto a um design árabe quanto a uma paisagem européia” (retirado do site oficial).

Esse padrão (re)corrente de conchas/orelhas, de acordo com Omeima, traz à tona questões como identidades e comunicação, expressando em suas obras – produzidas sobretudo em papel, seda e veludo – o ethos de sua criação: “a beleza pela diversidade”. Para além do ateliê, a artista realiza workshops sobre arte em tecido para jovens e adultos (surdos e ouvintes).

 
Omeima Mudawi
 


Categoria: Artes Plásticas
País: SudãoReino Unido
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://www.omeima-arts.com


 
 

Rubbena Aurangzeb-Tariq

Rubbena Aurangzeb-Tariq nasceu surda em uma família muçulmana de Surrey, condado não-metropolitano nos arredores de Londres. Licenciada em Artes Plásticas pela University of the Arts London (UAL – Central Saint Martins) e mestre pela Universidade de Surrey, Rubbena atua também como arte-terapeuta e “seu fascínio pela revelação sutil de conflitos inconscientes – sejam tensões entre culturas, pessoas ou partes do eu – figura como o cerne de seu trabalho” (retirado do site oficial).

Dessas (dis)tensões, as fronteiras físicas e identitárias que (re)definem a experiência surda tornam-se imagens em suas telas, já expostas em cidades como Paris, Montreal, Oxford, etc. Aparelhos auditivos, por exemplo, em traços quase abstratos, são elementos correntes em suas obras, trazendo à tona a discussão sobre o Ser Surdo.

Na pintura abaixo, um cérebro se une a um implante coclear (primeira linha) por um sinal de adição; um aparelho de amplificação sonora equivale a um olho (segunda linha) e uma representação das línguas de sinais subtrai um balão de fala (terceira linha).

 
Rubbena Aurangzeb
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Reino Unido
Obra: “Co-ordination
Línguas: Inglês e British Sign Language (BSL)
Site oficial: http://rubbena.com


 
 

Claire Bergman

Desde sua infância, arte é palavra presente no dia-a-dia de Claire Bergman, surda norte-americana. Sua mãe (também artista plástica) não raro a levava a museus, exposições e galerias pela cidade de Nova Iorque, onde Claire cresceu: Metropolitan, Guggenheim e MoMA (Museum of Modern Art) eram passeios corriqueiros, que em muito contribuíram para apurar a sensibilidade estética da jovem artista.

Aos nove, Claire já frequentava cursos na prestigiada Art Students League (àquela altura, sua timidez a deixava inibida diante de corpos nus que lhe serviam como modelos) e, anos mais tarde, matriculou-se no Pratt Institute. A língua de sinais, conheceu aos 25, quando se aproximou das comunidades surdas locais – desde então, a American Sign Language desponta como sua principal forma de comunicação e as culturas surdas, um universo que a atravessa diariamente.

“Para os Surdos, os olhos cumprem uma dupla função, servindo também como um ‘ouvido’. Nesse sentido, como artista, sinto que a surdez aumentou meu poder de observação, e isso influencia minha arte” (retirado de seu site oficial).

Muitas de suas pinturas, feitas principalmente à guache, caneta e tinta óleo, retratam figuras humanas, em cores pastéis e traços bastante característicos. Abaixo, a tela “Deaf girl with interpreter” (“Garota surda com intérprete”) traz à tona elementos do mundo surdo.

Para conhecer mais obras da artista, visite a galeria em seu site, clique aqui.

 
Claire Bergman
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Deaf girl with interpreter
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://clariebergman.com/