George Veditz

Há mais de cem anos, quando a abordagem oralista firmava-se preponderante na educação de surdos, um vídeo promovido pela NAD (National Association of the Deaf) chamava a atenção para a importância das línguas de sinais.

Gravado em 1913 por George Veditz, o filme de 14 minutos intitulado “Preservation of the Sign Language” compunha, ao lado de outros (confira no acervo da Galladeut University), uma coletânea de vídeos que buscava dar força à American Sign Language (ASL) e combater qualquer possível avanço oralista no país. Vale ressaltar que após o fatídico Congresso de Milão, em 1880, os EUA foram um dos poucos países participantes que assumiu a língua gestual como língua de instrução em suas escolas de surdos.

Nascido em 1861 na cidade de Baltimore, em família de imigrantes alemães, Veditz – ensurdecido ainda criança – frequentou a Maryland School for the Deaf (MSD). Em 1880 ingressou na Gallaudet University, onde licenciou-se no curso de Educação (poucos anos mais tarde, obteve na universidade o título de mestre). Por quase 20 anos, atuou como professor na Colorado School for the Deaf.

Na gravação, tida como um dos primeiros registros audiovisuais em língua de sinais, Veditz (árduo defensor surdo das L.S. e então presidente da NAD) faz menção à possível deterioração da ASL, anunciando também a produção de novos filmes a fim de contribuir para a preservação da língua (veja transcrição de seu discurso, clique aqui).

Se hoje as produções fílmicas em L.S. pululam pela Internet, há um século – quando o cinema mudo dava os seus primeiros passos – um grupo de surdos (em que se destaca Veditz) já antecipava o uso das (então) “novas tecnologias” na luta pelos direitos das pessoas surdas.

Abaixo, “The Preservation of the Sign Language” na íntegra.

 
George Veditz
 


Categoria: Outros
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)


 

True Colors

Em um vídeo produzido pela seção de Ontário da RAD – Rainbow Alliance of the Deaf (Aliança Arco-íris dos Surdos, saiba mais), surdos ligados à causa LGBT sinalizam uma versão da música “True Colors” (originalmente cantada por Cyndi Lauper ) regravada pelo projeto canadense “Artists Against Bullying” (saiba mais). Com a tradução em American Sign Language, as lutas contra o (cis)sexismo, o machismo, a homofobia, etc. amarram-se à lutas surdas, trazendo à tona a valorização das diferenças e a urgência do reconhecimentos de nossas “cores verdadeiras” (“true colors”).

True Colors
  


Categoria: Sucessos em sinais
País: Estados Unidos
Música: “True Colors” (Cyndi Lauper, ver. Artists Against Bullying)
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Letra / Tradução: “True Colors” traduzida para o Português
Vídeo oficial: “True Colors”, Cyndi Lauper


 
 
 
 

 

Ellen Mansfield

“Ellen nasceu surda em Manhattan, Nova Iorque, e cresceu em Nova Jersey. Bacharelou-se em Ilustração na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque (School of Visual Arts / SVA-NY) com formação em desenho, pintura, batik, cerâmica e outros meios” (retirado de Kiss Fist, Ed. 11, tradução nossa). Entre artistas surdos dos Estados Unidos, Ellen Mansfield é (re)conhecida sobretudo por seu trabalho com cerâmica e pintura.

No estúdio que montou em sua casa (o “TileStroke Studio”, em Frederick, Maryland), a artista dedica-se a criar obras em diferentes suportes, em grande medida pautadas por sua experiência surda: cores, mãos, formas e conteúdos evidenciam a sua luta contra o ouvintismo/audismo e o seu esforço para valorizar e promover as culturas surdas. “O espelho é a ferramenta ideal para reflexões sobre as identidades e a arte surda. É por este motivo que espelhos são usados em muitos de meus projetos com azulejos e cerâmicas: eles trazem grande significado para mim. Meu objetivo é que as obras contem, por elas mesmas, histórias sobre a cultura surda e a língua de sinais (…)” (retirado de “Jewish Deaf Congress”).

Para saber mais sobre a artista, visite a sua página no FB, clique aqui.

 
Ellen Mansfield
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Surprise in Deaf Culture” (1988)
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.facebook.com/EllenTileStrokeStudio (Facebook)


 

 

Deaf Life

Uma publicação mensal dirigida para o povo surdo, escrita e produzida por surdos: eis a Deaf Life. Criada na década de 1980 nos Estados Unidos, essa revista de variedades aborda assuntos relacionados às comunidades e culturas surdas, permeada por temas como política, educação, cultura, esportes, personalidades, ativismo, artes, etc.

Questões “polêmicas” do mundo surdo são também (re)tratadas em suas páginas, promovendo debates entre diferentes autores e pontos de vista. Com um público cativo de leitores, assinantes e anunciantes, a Deaf Life – mantida em grande parte pelo trabalho não remunerado de uma equipe editorial – já conta com edições japonesas e filipinas.

Para saber mais sobre a revista, clique aqui (ou clique aqui para visualizar a capa de vários volumes, de 1988 aos dias de hoje).

 Deaf Life

 


Categoria: Revistas e Periódicos
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.deaflife.com


 

Convo

Categoria: Propaganda
País: Estados Unidos
Anunciante: Convo
Línguas: Inglês e American Sign Languange (ASL), legendas ocultas (CC) em Português – saiba mais
Site oficial: http://www.convorelay.com

Convo é uma empresa norte-americana que oferece serviços de VRS (Video Relay Services – Serviços de Retransmissão de Vídeo: “vídeo intérpretes” e “interpretação remota”), bem como tecnologias de conversação para o público surdo sinalizador dos Estados Unidos. O nome “Convo” é uma contração da palavra “conversation” (“conversa”) e a empresa é comandada por surdos: por isso, o reforço do slogan “porque nós entendemos”. A propaganda abaixo ressalta esta ideia do “deaf like you” (“surdo como você”) e mostra – ironicamente! – a boa vontade de um chefe ouvinte (o “senhor ouvinte”, recorrente em outras tantas companhias) que tenta atender, desastrosamente, as demandas dos clientes surdos. O vídeo conta com legendas que podem ser traduzidas para o Português – saiba mais.