Hideto Noritomi

Quando pequeno, Hidehito (Hideto Noritomi) era proibido de sinalizar: na escola para surdos onde estudava, em Tóquio, seus professores lhe diziam que se usasse sinais, em vez de praticar a fala, sua voz ficaria parecida à de um animal (fonte: Deaf Japan). Assustado, o jovem surdo conversava em língua de sinais às escondidas, longe dos olhares punitivos de seus mestres.

Em 1996, já mais velho, Noritomi viajou à França, onde aprendeu técnicas de pintura a óleo – dois anos mais tarde, começava a produzir suas telas. Desde 2004, o artista plástico residente em Kumamoto se dedica à Arte Surda e por meio dela expressa a sua luta pela valorização do Ser Surdo e das práticas culturais das comunidades surdas.

Hideto também publicou um livro (com ilustrações suas) intitulado “Shuwa de Ikitai”, que – como um libelo contra a opressão ouvintista – destaca a importância e as riquezas da língua gestual.

Aos 45 anos, Hideto Noritomi é pai de Kazuchi, um menino surdo que, a reverberar o ativismo presente em sua casa, estuda em escola para surdos e sinaliza desde pequenino.

(Clique aqui para ver outra obra de Noritomi).

 
Hideto Noritomi
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Japão
Obra: “手話を奪われてても手話の心まで奪われることはない”
Línguas: Japonês Japanese Sign Language (日本手話)


 
 

Christine Sun Kim

Em seus trabalhos, Christine Sun Kim (CK) explora a materialidade do som traduzindo-o em traços, cores, formas, movimentos e performances. Para a artista surda radicada em Nova Iorque, o mundo sonoro e as (im)possibilidades de comunicação firmam-se como inusitados objetos de experimentações estéticas, ganhando destaque por uma série de processos e artefatos.

“Não tendo a mesma relação emotiva com o som, ela o internaliza sentindo suas manifestações físicas”, que se desdobram em numerosas linguagens. “CK interessa-se pelas percepções e pelas regras do som, tanto sociais como estéticas, e assumiu o compromisso de explorar, em suas obras, as formas como ele é produzido e percebido” (fonte: 15questions).

Em algumas de suas instalações, as vibrações produzidas por altifalantes, amplificadores ou pequenas caixas de som resultam em manifestações visuais produzidas com tintas, cordas, balões, corantes, objetos, etc. Frequências tornam-se grafismos, pinturas, símbolos, sistemas; palavras são disparadoras de ações (CK usa, em grande medida, tablets e smartphones como suportes de suas obras).

Mestre em Belas Artes (Música) pela Bard College e pela School of Visual Arts (Artes Visuais), a artista surda vem chamando a atenção com o seu trabalho provocativo, a problematizar o universo sonoro e da comunicação, em exposições e performances realizadas em diferentes países do mundo, como Estados Unidos, Coréia de Sul, Áustria, Alemanha, Suécia, Canadá, entre outros.

Para assistir a trechos da performance “Face Opera II”, clique aqui; para assistir à “Large Conversation”, clique aqui).

 
Cristine Sun Kim
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://christinesunkim.com


  

Orkid Sassouni

Uma série de fotos sobre as comunidades surdas norte-americanas marca o trabalho (De’VIA) da fotógrafa surda Orkid Sassouni, iraniana radicada em Long Island (Estados Unidos). Mãos em conversas, encontros de surdos, espaços bilíngues, etc. são captados pelas lentes de Sassouni, responsável pelo projeto fotográfico “Being Deaf and Free-Spirit” (“Ser Surdo e espírito-livre”).

“Fiquei fascinada com o orgulho, a energia, as principais formas de comunicação, o pensamento e a consciência deles sobre o mundo lá fora“, diz a fotógrafa sobre o povo surdo, de quem se aproximou quando ingressou na Gallaudet University, em 1990 (onde se formou em História da Arte e Museologia).

Foi na universidade, onde aprendeu a Língua de Sinais Americana, que mergulhou no universo da fotografia – expressão em que se aperfeiçoou por meio de outros vários cursos (como o realizado na Parsons School of Design, onde, em contato com a prestigiada fotógrafa Annie Leibovitz, começou a registrar as nuances do mundo surdo).

Em São Francisco, na costa oeste estadunidense, Sassouni concluiu o mestrado em Artes Interdisciplinares (com ênfase em Educação) pela San Francisco State University e trabalhou no Centro de Serviço aos Surdos da San Francisco Public Library (um interessante espaço dentro de uma biblioteca pública que reúne – além de atendentes bilíngues – uma extensa coleção de livros, artigos, revistas e vídeos sobre língua de sinais, cultura surda, surdez, etc.).

Por meio das fotos, partilham-se novos olhares sobre a surdez, trazendo a público retratos da imensidão cultural desse grupo minoritário (fontes: Rochester Institute of Technology e Deaf Art).

 
Orkid Sassouni
 


Categoria: Artes Plásticas / Fotografia
País: Irã / Estados Unidos
Obra: “Girl talking
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)


 

 

Alex Wilhite

A experimentação com cores, contrastes e formas é a tônica do trabalho de Alex Wilhite, artista plástico surdo estadunidense. “Atraio-me por seguir as cores da natureza e a forma como mudam, do nascer ao pôr do sol”, afirma o pintor.

Suas obras, expostas em museus e galerias dos Estados Unidos, Europa e Japão, são “majoritariamente abstratas, precisamente geométricas e tipicamente caracterizadas por cores vivas e fortes. Pintor pós-minimalista, Wilhite considera suas grandes influências artistas abstratos do pós-guerra, como Jackson Pollock, Frank Stella e Mark Rothko” (retirado de Deaf Art).

Mestre em Belas Artes pelo Pratt Institute (Nova Iorque), o artista hoje ocupa-se também como docente. Alguns de seus trabalhos, como a obra abaixo, intitulada “Audism”, expressam diretamente a sua experiência Surda, trazendo à tona elementos relacionados às culturas surdas (audismo, ou ouvintismo – termo mais corrente no Brasil -, é o nome dado ao conjunto de práticas e discursos que, pautado na “normalidade do ouvir”, rejeita a diferença Surda e, de forma menos ou mais visível, oprime, desqualifica, precariza, normaliza e coloca em situações de desvantagem as pessoas surdas não alinhadas a um padrão ouvinte).

 
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Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Audism
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.alexwilhite.com


 

 

Jamaluddin Ansari

Jamaluddin Ansari, artista plástico indiano, dedica-se sobretudo à escultura, usando em suas obras madeira, metais, plástico, mármore e vidro. Surdo, cursou o mestrado na Lalit Kala Akademi (National Academy of Art, Nova Delhi) e, por vezes,  faz da surdez um mote de suas criações.

Outro tema que se destaca em seu trabalho é a paz: “Jamaluddin é surdo, mas a impossibilidade de ouvir abriu a sua mente, e ele esculpe peças sobre violência e paz” (fonte: Dainik Jagran Cityplus). “(..) suas esculturas nos dizem que ele se preocupa com tudo o que acontece em nossa sociedade”, diz Lovneet Malhotra, seu assessor.

Abaixo, a obra “Born Deaf” (“Nascido Surdo”), esculpida em bronze, retrata um pequeno bebê em gestação… em uma orelha.

 
Jamaluddin Ansari
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Índia
Obra: “Born Deaf
Línguas: Hindi e Indian Sign Language (ISL)