Blue Ear, o super-herói surdo

Anthony Smith, um menino surdo estadunidense, recusava-se a usar o seu aparelho auditivo – apelidado, carinhosamente, de Blue Ear (Orelha Azul). “Super-heróis não usam orelhas azuis“, dizia Anthony, então com quatro anos, à sua mãe, Christina D’Allesandro.

Diante dos nãos de seu filho, Christina escreveu para a Marvel Comics (responsável pela criação de super-heróis como Capitão América, Homem-Aranha, X-Men etc.) pedindo ajuda à editora, à procura de algum personagem surdo: a mensagem foi logo respondida por Bill Rosemann, editor do selo, que sugeriu à mãe do garoto que lhe contasse sobre o Hawkeye (no Brasil, o Gavião Arqueiro), um personagem criado por Stan Lee na década de 60 que, mesmo tendo perdido parte da audição, não deixava de ser um importante super-herói. Junto com a mensagem, Bill fez chegar à família uma imagem de Hawkeye.

Sensibilizado pelo pedido da mãe, Rosemann encaminhou o e-mail recebido à equipe de criadores e desenhistas da editora, que – de pronto – mobilizaram-se e criaram o “Blue Ear”, um herói-menino inspirado em Anthony (veja mais aqui). Nascido das mãos do luso-americano Nelson Ribeiro e de Manny Mederos, o “Blue Ear” conta com um aparelho auditivo que lhe permite ouvir uma “formiga a soluçar do outro lado do país”, bem como escutar pedidos de socorro a longas distâncias.

O novo super-herói não foi lançado ao público, mas cumpriu a sua missão com o pequeno Anthony.

No ano seguinte, a Phonak, uma das maiores fabricantes de aparelhos auditivos do mundo, em parceria com a Marvel, deu início a uma campanha para estimular jovens e crianças surdas e com deficiência auditiva a usarem suas próteses, veja aqui.

 
Blue Ear 02
 


Categoria: Outros
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)


 

 

Cleveland SignStage Theatre

Em 1975, Brian Kilpatrick (surdo) e Charles St. Clair (ouvinte) fundaram o Fairmount Theatre of the Deaf, nos Estados Unidos, com a intenção de produzir peças bilíngues (Inglês e American Sign Language) acessíveis para públicos surdos e ouvintes. O grupo, que transformava obras consagradas em “histórias surdas” (com príncipes, princesas, reis, monstros e heróis surdos, por exemplo), passou a se chamar, em 1993, Cleveland SignStage Theatre.

A companhia, desde então, apresentou-se em mais de cinquenta cidades espalhadas por diferentes países (com performances, peças, cursos e workshops), desfazendo estereótipos, trazendo à baila os direitos do povo surdo e promovendo as artes e as culturas surdas.

Nos últimos anos, o trabalho do SignStage tem se centrado principalmente em programas educativos, com o ensino  de comunicação não-verbal, mímica, teatro e improvisação em diversas escolas norte-americanas.

 
SignStage
 


Categoria: Teatro
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.chsc.org/Main/SignStage.aspx


 

Morris Broderson

Nascido em 1928 na cidade de Los Angeles (Califórnia, EUA), Morris Broderson foi um prestigiado artista plástico surdo. Suas obras (especialmente pinturas) se espalham por diversos museus, como o Guggenheim, o Hirshhorn Museum e o San Francisco Museum of Modern Art, entre outros.

Broderson nasceu surdo e, ainda pequeno, aprendeu a sinalizar. “Quando tinha 14 anos, chamou a atenção de sua tia, Joan Ankrumcom um esboço que fez dela à lápis. Ela reconheceu o seu talento excepcional e o encorajou a aprofundar os seus estudos em Arte” (retirado do site do artista).

Elementos como poesia, flores, padrões orientais, infância, etc., firmaram-se como potentes fontes de inspiração para o seu trabalho e, mesmo sem se identificar com o movimento De’VIA (Arte Surda), muitas de suas criações retratam a língua de sinais e algumas das experiências surdas (fonte: People of the Eye).

Em 2011, aos 82 anos, Morris Broderson faleceu nos Estados Unidos, deixando um grande legado para as artes plásticas e também para as Artes Surdas.

 
Morris Broderson
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Self-portrait with hearing aids
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.wedgespeaks.com/morrisbroderson


 

 

Convo (The Wedding)

Categoria: Propaganda
País: Estados Unidos
Anunciante: Convo
Línguas: Inglês e American Sign Languange (ASL), legendas ocultas (CC) em Portuguêssaiba mais
Site oficial: http://www.convorelay.com

Duff Goldman é um famoso confeiteiro norte-americano, protagonista do reality show Ace of Cakes. Em sua confeitaria, Charm City Cake (Baltimore, EUA), dezenas de bolos “temáticos” são concebidos e fabricados por sua equipe – famosa por aparições em programas de TV e magazines especializados. No anúncio da Convo (empresa que oferece serviços de “vídeo intérpretes” e “interpretação remota”, bem como tecnologias de conversação para o público surdo sinalizador – veja mais, clique aqui), uma noiva surda entra em contato direto com Goldman para perguntar por seu bolo de casamento (que ainda não foi entregue à festa!) e, por meio dos serviços de interpretação da companhia, consegue resolver a situação. O vídeo conta com legendas que podem ser traduzidas para o Português, saiba mais.

 

 

Koda in Holiday Concert

Categoria: Outros
País: Estados Unidos
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)

Claire Koch é uma simpática mocinha ouvinte, filha de pais surdos. A pequenina, de cinco anos de idade, vive na Flórida (EUA) com sua família. Há poucos dias, ao lado de seus colegas do jardim de infância, Claire apresentou-se em um coro de natal – e, para a surpresa de todos, inclusive de seus pais que lhe assistiam, a querida coda (filha de pais surdos) pôs-se a sinalizar as canções, encantando os espectadores com suas graciosas expressões. Sua mãe, Lori Koch, publicou o vídeo nas redes sociais e, em poucos dias, a publicação se tornou viral, atingindo – em menos de uma semana – mais de três milhões de visualizações (clique aqui e aqui para assistir a reportagens com Claire e seus pais, após o sucesso do vídeo na Internet).