Britehouse Blacksmith Cafe

Com a ajuda do projeto Blacksmith Coffe Movement, jovens sul-africanos têm a oportunidade de fazer frente ao desemprego formando-se baristas profissionais. O curso de três meses, que aproxima os participantes da história do café (e de seus preparos) e os capacita para o uso de máquinas, utensílios e técnicas específicas, é financiado pela venda de cafés de marca própria (na rede local Ciro) e conta com o apoio de uma série de parceiros. Um desses parceiros, a empresa de tecnologia Britehouse, fez da pequena cafeteria mantida em sua sede um espaço comandado por baristas do projeto – no caso, os jovens baristas Olga Masondo e Herold Hlophe, este último, surdo.

A surdez de Herold e o seu pertencimento à cultura surda, no entanto, fizeram do bar-café um empreendimento nada ordinário: além de sua presença como atendente/barista sinalizador (e com sua grande experiência no ensino da língua de sinais), o local ganhou um grande menu com sinais da Língua de Sinais Sul-Africana, a SASL – que circula também por cartões espalhados pelo balcão e por um aplicativo usado por funcionários da companhia.

Agora, nas pausas durante o trabalho, nos horários de almoço ou nos finais de expediente, a língua gestual se fará viva entre muitos.

(Clique aqui para conhecer outros vários cafés, bares e restaurantes surdos).

 
Britehouse Cafe
 


Categoria: Bares e Restaurantes
País: África do Sul
Línguas: Inglês e South African Sign Language (SASL)


 
 

AEG – Eco Lavamat

Uma atriz anuncia a lavadora de roupas, enquanto esta (“uma das mais quietas máquinas de lavar”) segue em pleno funcionamento – nada, no entanto, produz qualquer barulho. A quietude se desfaz, apenas, com o ruído dos passos. “Para apreciar de verdade os benefícios da nova ECO – Lavamat, você primeiro precisa compreender o completo silêncio”, sinaliza a atriz na propaganda da AEG, produzida pela agência TBWA Africa (Johannesburgo) ainda na década de 1990.

 AEG

 


Categoria: Propaganda
País: África do Sul
Anunciante: AEG
Línguas: Inglês e South African Sign Language (SASL)
Site oficial: http://www.aeg.com


 

Thamsanqa Jantjie

Em dezembro de 2013, Thamsanqa Jantjie ganhou as manchetes de jornais de todo o mundo. Na cerimônia fúnebre do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, Jantjie traduziu para (uma suposta) língua de sinais os pronunciamentos de autoridades políticas, como Barack Obama, sendo assistido por milhões de pessoas em dezenas de países.

Porém, para o espanto de muitos surdos, o intérprete – contratado para realizar a tradução na língua de sinais sul-africana (ASLS) – usava gestos sem sentido, em uma profusão de sinais inventados por ele. A fraude foi logo desmascarada e, diante de acusações vindas de comunidades surdas de todo o mundo, o falso-intérprete declarou sofrer de esquizofrenia, alegando que no momento da tradução teria visto anjos vindos do céu: “(…) não tinha nada que eu podia fazer. Eu estava sozinho numa situação muito perigosa. Eu tentei me controlar e não mostrar ao mundo o que estava acontecendo“, defendeu-se.

O caso foi noticiado por centenas de programas televisivos, revistas, jornais e sites de notícias – até Slavoj Žižek (filósofo esloveno) pôs-se a falar sobre o assunto. Apesar da gravidade, a farsa trouxe à tona, com uma publicidade inédita, o descaso com os direitos do povo surdo, reacendendo discussões e mobilizando diferentes setores da sociedade.

 
Thamsanqa

 


Categoria: Outros
País: África do Sul
Línguas: Inglês e South African Sign Language (SASL)


 

FTH:K

Peças não-verbais, em que gestos, movimentos, expressões e elementos cênicos compõem histórias para “serem ouvidas com os olhos”: assim atua a companhia de teatro FTH:K, formada por surdos e ouvintes.

A arte do clown, máscaras, bonecos, luzes e cores fazem brilhar ainda mais aos olhos – esses que ouvem – a poesia das apresentações (clique aqui para assistir trechos da peça Gumbo).

A companhia, pioneira na África do Sul, existe há sete anos e, desde então, promove a formação profissional de jovens surdos para a “indústria do teatro” africano. Os vários prêmios acumulados provam a excelência do grupo e a seriedade do trabalho (clique aqui para assistir a um belo vídeo sobre a companhia). Escute com os olhos, e encante-se: From The Hip: Khulumakhale – FTH:K.

 

 


Categoria: Teatro
País: África do Sul
Línguas: Inglês e South African Sign Language (SASL)
Site oficial: http://www.fthk.co.za