Paul Johnston

Um dos precursores e principais artistas De’VIA (Arte Surda) norte-americanos, Paul Johnston explora com maestria diferentes linguagens, do teatro às artes plásticas.

Bacharel em Artes Plásticas pela Rochester Institute of Technology e mestre e doutor em Arte-educação pela Pennsylvania State University, Johnston, filho surdo de artistas ouvintes, tem a arte como eixo norteador de toda a sua trajetória acadêmica, dedicando-se, sobretudo, ao ensino e à pesquisa das interfaces entre a arte e a surdez.

No Departamento de Artes da Gallaudet University, onde hoje leciona, já ministrou disciplinas de Design, Desenho Experimental, Escultura, Introdução à De’VIA, entre outras. Suas obras, majoritariamente, trazem à tona o tema deafhood: “considero-me um artista semi-abstrato. Constantemente, tento partilhar e alimentar minhas obras transferindo para o papel meus sentimentos, minhas interpretações filosóficas sobre a minha experiência Surda e o uso da mãos como uma ferramenta tanto para comunicar quanto para criar. Meu trabalho é, por vezes, expressão de minha identidade como americano e como indivíduo surdo que vive uma experiência bicultural. (…) Assim como os ouvinte apreciam a beleza da música, os surdos apreciam e respeitam a beleza das línguas gestuais e o prazer das artes visuais. Minha intenção é abraçar a liberdade de expressão inventando novos e imaginativos ícones em cada um dos meus trabalhos. (…) Quero que minhas obras falem por elas mesmas” (retirado de DeafArt).

 
Paul Johnston
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Spiral Handmask II
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)


 
 

Daniel Winship

Quando adolescente, Daniel Winship (artista surdo norte-americano) costumava acampar com sua família e, nesses encontros de verão, deslumbrava-se com um tio, que lhe ensinava usar uma série de ferramentas. “Ele também me ensinava a fotografar e a filmar, a fazer trabalhos com madeira, cerâmica, vidro fundido e metal – eu era como uma criança em loja de doces, e não podia aprender tão rápido. (…) Desde esse tempo, sou fascinado pelas conexões entre arte e ciência, e isso se tornou a minha inspiração para criar. A energia criativa é muito poderosa e enriquece meu espírito por diferentes caminhos”, diz o artista (retirado de seu site oficial).

Licenciado pela Ringling College of Art and Design, Winship – bem como o garoto curioso que observava o tio – dedica-se a criar em diferentes suportes (design de móveis, trabalho com madeira e materiais reciclados, pinturas, fotografia, etc.). Já suas obras De’VIA (Arte Surda) trazem à tona uma série de questões relacionadas à surdez, sobretudo à reafirmação do Ser Surdo e à luta contra a opressão ouvintista (algumas de suas obras sobre o Implante Coclear, por exemplo, têm provocado numerosas e acaloradas discussões em comunidades surdas estadunidenses).

Para acompanhar o seu trabalho de Arte Surda, acompanhe a página de Daniel Winship no Facebook, clique aqui.

 
Daniel Winship
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “CI Baits
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://winshipcreations.weebly.com


 
 

Cynthia Weitzel

Cynthia Weitzel é uma artista plástica surda, filha de pais surdos, criada em um pequeno vilarejo de Wisconsin (EUA), onde os únicos surdos eram os de sua família. Weitzel “ganhou o mundo” quando, jovem, mudou-se para Washington D.C. a fim de estudar na Gallaudet University, uma prestigiada universidade norte-americana para surdos. Mais tarde, como conselheira especializada, atuou contra a toxicodependência e o alcoolismo nas comunidades surdas e, já no Tennessee, voltou aos estudos, ingressando no curso de Gestão e Artes na Austin Peay State University (fonte: Community Connections).

Sua produção artística (feita em diferentes suportes) reúne uma série de obras De”VIA, trazendo à tona numerosas questões e marcadores culturais do povo surdo – uma de suas técnicas de pintura, conhecida como ASL Action Painting, consiste em criar imagens abstratas com respingos de tinta produzidos a partir de sinais da American Sign Language: com as mãos cheias de tinta, a artista põe-se a sinalizar sobre uma tela e, com os pingos multicoloridos que caem de suas mãos, compõe interessantes figuras.

Na obra “Cull (series 3 of 4)”, ou “abate”, em Português, Weitzel retrata a hegemonia (e a opressão) das práticas biomédicas e dos discursos clínicos sobre a surdez: de uma instituição sombria, surdos saem com as mãos amputadas (a proibição das línguas de sinais) e com próteses implantadas (o totalitarismo dos esforços corretivos contra a surdez), caminhando catatônicos como zumbis.

(Para acompanhar a página oficial da artista no Facebook, clique aqui).

 

Cynthia Weitzel

  


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “Cull (series 3 of 4)
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://www.cynthiaweitzel.com


 
 

Pratigya Shakya

Desde os três anos, Pratigya Shakya, 41 – ou Yaya, como é também conhecido – dedica-se à arte. O artista nepalês, que hoje mora em Catmandu (capital do país), tem a surdez (e uma série de questões que dela se desdobram) como um de seus principais eixos de criação.

Egresso da Naxal School for the Deaf, Yaya tornou-se bastante conhecido entre as comunidades surdas locais por suas obras (pinturas, quadrinhos, ilustrações, auto-retratos, peças em madeira, metal, esculturas, etc.) inspiradas nas línguas de sinais e nas culturas e comunidades surdas. Dele, também, é a autoria das ilustrações feitas para o Dicionário de Língua de Sinais Nepalesa (NSL), produzido com o apoio da National Federation of the Deaf & Hard of Hearing e da Kathmandu Association of the Deaf. 

Hoje, Yaya atua com educação de idosos surdos, principalmente daqueles vindos de pequenos vilarejos do Nepal.

Clique aqui para assistir a um vídeo sobre Pratigya Shakya, em que é possível conhecer as interessantíssimas ilustrações feitas por ele para o dicionários de NSL.

 
Pratigya Shakya
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Nepal
Línguas: Nepalês e Nepali Sign Language
Site oficial: http://deafnepalartist.wordpress.com


 

 

Hinda Kasher

Licenciada em Artes e Psicologia pela Rochester Institute of Technology (EUA), Hinda Kasher aproximou-se das Artes Surdas (De”VIA) durante a graduação, quando fez de suas obras – em diferentes suportes – uma forma bastante potente de trazer a público os traços culturais das comunidades surdas, bem como suas lutas e histórias. Feminismo e cultura judaica são também dois outros temas que inspiram a artista norte-americana, residente em Nova Iorque.

Intitulada “AGB”, a obra abaixo remonta à 1880, fatídico ano em que a abordagem oralista se consagrou no Tratado de Milão, banindo as línguas de sinais das escolas para surdos. À frente da imagem, Alexander Graham Bell (um dos grandes defensores do oralismo) segura um coração (que simboliza o Ser Surdo – Deafhood), em um ambiente clínico cheio de orelhas, bocas e correntes, indicando a série de opressões perpetradas pelo audismo (ouvintismo).

Para acompanhar o trabalho de Hinda Kasher pelo Facebook, clique aqui; para conhecer o seu site, Kasher De’VIA Studio, clique aqui.

 
Hinda Kasher
 


Categoria: Artes Plásticas
País: Estados Unidos
Obra: “AGB
Línguas: Inglês e American Sign Language (ASL)
Site oficial: http://hindakasherstudio.wix.com/hindakasherstudio