As mãos

Categoria: Poesia em Língua de Sinais
País: Portugal
Poema: “As mãos” (Manuel Alegre)
Línguas: Português e Língua Gestual Portuguesa (LGP)

O poema “As mãos”, do poeta português Manuel Alegre, é traduzido para a Língua Gestual Portuguesa (LGP) por Carlos Martins. O texto, também musicado por Adriano Correia de Oliveira (clique aqui para ouvir), firma-se – sobretudo – como um libelo à liberdade, escrito em resistência ao Estado Novo português (1933 – 1974).

 

As mãos
(Manuel Alegre)

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.