Você acha que surdez é uma incapacidade? Se sim, pense melhor. Eis o eixo criativo da campanha do The Deaf Society of New South Wales, organização australiana de apoio a causas surdas. No anúncio, alguns dançarinos surdos do grupo Deaf Can Dance chamam a atenção para a urgência de se repensar a forma como a surdez é compreendida pelo senso comum. E então, “incapacidade”?
A música dos Black Eyed Peas interpretada em American Sign Language, sinalizada por uma série de pessoas em diferentes situações: eis a estrutura do pequeno filme produzido por Lauren Hostovsky para aproximar ainda mais do público surdo a banda de Fergie, Taboo, Will.I.Am e Apl.de.ap. Feito da costura de várias contribuições individuais, o vídeo não deixa, mesmo, a festa parar - os registros dos diferentes sinalizadores compõem um divertido, e animado, clipe para a canção. “Don’t, don’t, don’t stop the party!”.
Línguas: Português e Língua de Sinais Brasileira (Libras/L.S.B)
Vídeo original: “Poema de natal” (trecho extraído do documentário “Vinicius”, de Miguel Faria Jr.)
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Um “Poema de Natal”, escrito por Vinicius de Moraes e interpretado em Libras por Natalia Romera (vozes de Ricardo Blat e Camila Morgado), para celebrarmos - mesmo atrasados – os dias que se passaram.
Línguas: Italiano e Lingua dei Segni Italiana (LIS)
Site oficial: não disponível
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Luisella Zuccotti nasceu em 1950 na pequena cidade de Basaluzzo, província de Alexandria, ao norte da Itália. Cursou a “Accademia delle Belle Arti” (Academia de Belas Artes) de Roma, onde também se licenciou em cenografia. Como cenógrafa, atuou ao lado de alguns grupos teatrais italianos, como o “Laboratorio Zero” e a companhia “A. Bottazzi”. Além de seus quadros, seus traços são também conhecidos pelas ilustrações que faz sobre, e para, o mundo surdo (veja ilustração de Zuccotti para o ENS – Itália). Sua obra “Il Silenzio”, bastante divulgada pela Internet, retrata “a silenciosa língua das mãos, em harmonia com a Mãe Natureza”, e foi inspirada em conversas com Clayton Valli, bem conhecido linguísta e poeta gestual norte-americano, falecido em 2003. O silêncio fértil, a natureza que fala, as mãos que comunicam, em cores vivas de Luisella Zuccotti.
Experimentar uma balada (festa) por meio de vários sentidos: músicas, aromas, vídeos, massagens, paladares… assim é o Sencity, evento criado por um grupo holandês para possibilitar uma fruição multisensorial de festas, e que já viajou por grandes cidades de todo o mundo. Pisos que vibram consoante as “batidas” da música (sensefloor/vibrating dance floor), projeções de vídeo em grandes telões (ecrãs) comandados por visual jockeys, dançarinos(as) e signdancers, interpretações em línguas de sinais, degustações de sabores oferecidas por food jockeys, efeitos de luzes orquestrados por light jockeys, aromas borrifados no ar em combinações feitas por aroma jockeys, sessões de massagens, cabeleireiros, visagismo, e muita animação entre surdos e ouvintes, que partilham de uma “experiência única”, são possíveis em uma noite de Sencity – “a cidade dos sentidos” (veja vídeo promocional do Sencity Londres 2011). Em setembro de 2011, um Sencity ocorreu no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo (veja trechos, clique aqui). “See, hear, feel, taste & smell the music” (Veja, ouça, sinta, deguste e cheire a música).
“Tal med tegn” (“Falar com sinais”, em tradução livre) é uma linha de DVDs educativos da marca dinamarquesa Mangobaby, para crianças de seis meses a três anos. Os vídeos ensinam sinais básicos, com imagens, cores e movimentos que estimulam – desde cedo – a aquisição e o aprendizado da língua de sinais pelos pequeninos. Nos anúncios do produto, sinais simples são divididos com o público, como mor/mãe e far/pai (ver), sut/chupeta (ver) e danse/dança (ver). Neste vídeo, aprenda a sinalizar bold (bola) em Tegnsprog, a Língua de Sinais Dinamarquesa.
No Brasil, muitas igrejas cristãs atuam com evangelização no seio de várias comunidades surdas. Católicos, protestantes (evangélicos, pentecostais e neopentecostais), Testemunhas de Jeová, etc., fazem-se presentes na vida de muitos surdos por meio do trabalho das pastorais, dos movimentos jovens, das associações, dos cursos/formações e de uma grande oferta de eventos com interpretação em língua de sinais. Muito comuns são as canções de louvor, as narrativas religiosas e a música gospel em Libras. Neste vídeo, a canção “Ele Vive”, de Leonardo Gonçalves, é interpretada em língua gestual.
Quando pequenina, Maureen Klusza (ou Moe, como é também conhecida) olhava para os bonecos de Vila Sésamo na TV e tentava entender por que eles tanto abriam e fechavam a boca: para ela não fazia sentido, já que pouco usavam as mãos. Um dia, no ônibus para a escola, percebeu que a motorista – ao contrário de seus colegas – também mexia a boca enquanto dirigia. Sua mãe, então, explicou-lhe: “eles são ouvintes, e usam a voz para falar; nós, por outro lado, somos surdos, e usamos as mãos para sinalizar”. Ali, Moe – surda, filha de pais surdos – começava a vivenciar a diferença. Hoje, licenciada em Belas Artes/Ilustração pelo Rochester Institute of Technology, a norte-americana dedica-se às artes gráficas, fazendo de seu trabalho uma forma de mostrar ao grande público como a surdez pode ser, verdadeiramente, uma experiência positiva. Além de professora, Maureen Klusza é ilustradora: um de seus cartoons, “The Deaf Side”, mostra situações cotidianas e inusitadas vistas por olhares surdos.
Uma viagem ao passado por meio de canções do início do século XX interpretadas em Língua de Sinais Francesa (LSF), ao som de um realejo: assim se apresentam Sylvain Lioté-Stasse e Laetitia Tual em ruas, feiras, teatros, congressos e festivais. ”Manivel’Swing & Laety – Duo Live LSF”, como é chamado o projeto musical que une a “música de manivela” de Sylvain à apresentação gestual de Laetitia, tem como finalidade “servir de ponte entre duas culturas: a cultura surda e a cultura ouvinte” (trecho retirado de panfleto da dupla).
“Voces para la Paz – Músicos Solidarios” (“Vozes para a paz – Músicos Solidários”) é um projeto musical espanhol formado por mais de trezentos músicos profissionais de diferentes orquestras, corais e bandas sinfônicas do país. Como associação de ajuda humanitária, seus concertos têm como objetivo apoiar - promovendo e arrecadando fundos – diferentes projetos sociais em países ”periféricos”, como Níger, Uganda, Equador, Malawi, Bolívia, Moçambique, etc. Neste vídeo, a apresentação de “Alma Llanera” (tradicional canção venezuelana, de Pedro Elías Gutierrez e Rafael Bolivar Coronado) é acompanhada pelo Coro Gestual del Instituto Ponce de León de Madrid.
Gravada por Erasmo Carlos, Roberto Carlos e, mais recentemente, pela banda de rock paulistana Titãs, a música “É preciso saber viver” é, agora, interpretada em língua de sinais por Natalia Romera. Neste vídeo, Fábio Sampaio – o rapaz que aparece ao fundo, em caras e bocas - faz um arranjo de vozes e palmas para criar uma outra versão da música. Entre sons e sinais, “é preciso saber viver”.
Em sua vida, “opressão” e “liberdade” foram palavras bastante presentes. Nascido na antiga Iugoslávia, palco de incontáveis disputas políticas e inúmeros conflitos armados, o artista plástico surdo Igor Kolombatovic fez de suas experiências pinturas em tela. Governos totalitários, guerras, repressões ouvintistas, opressões cotidianas: desse caldo emergem a liberdade e a beleza retratadas em suas obras. Com formação em Belas Artes pela State School of Art, em Belgrado (hoje Sérvia), e pela Fine Arts Institute, em Roma (Itália), Kolombatovic dedicou-se, além da pintura, ao ensino de artes em instituições da América do Norte, onde passou grande parte de sua vida.